terça-feira, junho 7

Enobibliomania.

Combinar alimentos com vinho virou um item de estilo. Um must, como se diria tempos atrás. Ir a um restaurante com uma digna representante da oposição, sem saber que Merlots são demodês e que Pinots Noirs são jóinha, pode ser fatal, dependendo da idade dela (aliás, dependendo da idade dela, pode ser fatal saber essas coisas. Mas, divago).

O Ciro Lilla, simpaticão e bonacheiro, é o maior mestre nessa arte apelidada enogastronomia (nome que, por si só, tira metade do charme da coisa) – não só conhece as combinações perfeitas, mas as divulga com uma didática de normalista. Ele lançou até um livro, que não deve ser ruim.

Mas de tanto entrar nas Saraivonas, nas Culturonas e nas Livrarias das Vilas, percebi que há um outro must em formação: o de combinar livros com música.

Cada qual há de ter suas preferências, é verdade.

Eu, agora, combino Bach, do Chateau Antonio Meneses, com um requintado Blandings Castle.
Há uma perfeita combinação entre os leves taninos bachianos, com o saboroso retrogosto de cada parágrafo de Wodehouse.

As suítes de Bach, aliás, acho que são o Beaujolais da música: vão bem com qualquer livro, mesmo os de sabor mais pronunciado.

Mas há outras músicas, claro, que não combinam com nada: são o Sangue de Boi, de garrafão – só se admite que alguém os beba em festas juninas, lendo Tex. E olhe lá, porque dá uma baita azia.

3 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

não consigo ler ouvindo musica.
nao consigo ouvir musica sem fechar os olhos.
ou dançar.
mas me deu vontade de beber vinho. vc pode pedir. eu gosto dos rosés que andam tão fora de moda. Não andam? Mas eu gosto. Entendo nada de vinhos. Mas entendo do que eu gosto.
beijos lots of

7.6.05  
Blogger jayme disse...

Apenas pra constar, ri muito uns anos atrás quando descobri que existe um vinho na França chamado Sang de Boeuf. Belo texto!

9.6.05  
Blogger mauro disse...

Ei, jayme e cláudia, brigado pela visita. Cheers!

9.6.05  

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